sábado, 13 de setembro de 2008

Portugal no seu pior

«Várias buscas foram desencandeadas [...] e foram apreendidos esfacientes».
(Agente policial falando aos jornalistas sobre as várias operações stop ocorridas durante esta madrugada, em que foram apreendidas armas, estupefacientes e sabe-se lá o que mais, in Telejornal, RTP1).

Sem comentários por parte desta vossa blogueira. A Edite Estrela deve estar aos pulos de raiva algures na sua mansão sintrense.

Metallica - "Death Magnetic"

Saiu ontem o muito aguardado e adiado "Death Magnetic", dos Metallica. Após duas digressões que passaram por Lisboa (na edição do Super Bock Super Rock de 2007 e no Rock in Rio deste ano) sem que houvesse álbum novo para apresentar, chega-nos o regresso à boa forma dos californianos vulgarmente (re)conhecidos como a maior banda de metal do mundo.
As expectativas não podiam deixar de ser elevadas ou não fosse o anterior St. Anger, de 2003, um álbum relativamente fraco, assaz criticado pelos fãs de velha guarda da banda, os mesmos que os acusaram de se terem vendido ao mainstream aquando do lançamento de "Load" e Reload" e dos cortes de cabelo e uso de maquilhagem a eles associados (oh, sim, Kirk Hammet, o lápis preto nos olhos não nos passou despercebido!).
Nota-se em "Death Magnetic" uma vontade de regresso ao passado, aos anos 80 e princípio de 90, porventura a época dourada e a mais amada pelos «Mettalicos» mundo fora.
O trio de ataque do álbum é, curiosamente (na minha opinião) constituído pelas primeiras três músicas do alinhamento. O pulsar cardíaco que dá início a "That was just your life", uma das minhas preferidas até agora (só comecei a ouvir o CD ontem, no dia de lançamento, por isso como devem calcular ainda não está devidamente entranhado, apesar de hoje o ter ouvido várias vezes) desenrola depois numa grande malha. Uma malha à la Metallica, tal como o são "The End of the Line" ("Drop the hourglass of time/ Spinning sand we will not find/ As we gather here today/ We bid farewell/ The slave becomes the master/ The slave becomes the master The slave becomes the master/ The slave becomes the master"), com alguns ecos óbvios a "Master of Puppets" e "Broken, Beat & Scarred", com muitas variações de ritmo e uma guitarrada que se nos cola aos ouvidos, assim como o refrão, que nos leva inevitavelmente a berrar a plenos pulmões (eu faço-o, pelo menos): "SHOW YOUR SCARS! Breaking your life, broken beat & scarred. WE DIE HARD!". Segue-se o single de apresentação e slow da ordem, "The day that never comes", a soar à fase "Black Album"/"Metallica" de 1991, de longe o maior sucesso que a banda alguma vez teve e que, na qualidade de tema de apresentação, segue a onda de todos os singles de apresentação das bandas que ouvimos: nunca é o melhor tema do álbum, sendo que a nossa preferida é invariavelmente outra música que acaba sempre por nem se tornar em posterior single. "All nightmare long", um portento com laivos de trash cuja duração se aproxima dos 8 minutos é a estocada que se segue, logo antes de "Cyanide". E assim chegamos a "Unforgiven III" e ao seu pianinho inicial. O.k., amigos, já percebemos que os Metallica querem esquecer e enterrar bem fundo a fase "Load"+"Reload" e voltar aos bons velhos tempos de "Black Album"/"Metallica" (escolham a designação, que não é consensual), mas também não havia necessidade de repescar uma canção que já não é boa de origem (confesso, não sou fã do "The Unforgiven" original e a sobreexposição da dita convenhamos que não ajuda), voltar a pegar nela em "Reload" para fazer um "The Unforgiven II" fraquíssimo e, 17 anos volvidos do original, fazer ainda uma terceira tentativa. Já chega, não? Não havia necessidade. Se não resulta da primeira vez dificilmente resultará fazendo uma trilogia, digo eu... But that's just me!
"The Judas Kiss", "Suicide & Redemption", com um Robert Trujillo em grande, a exibir uma linha de baixo fenomenal, ele que, desta feita, até teve direito a fazer parte da lista de compositores do álbum, geralmente dominada por James Hetfield e Lars Ullrich, e que bom é ver isso. Já não era sem tempo de o ex-Suicidal Tendencies deixar de ser visto como um mero tarefeiro dos Metallica e passar a ser reconhecido como um membro da banda de pleno direito. Ainda assim, não é dos temas mais fortes de "Death Magnetic" e os 10 minutos que dura também não o favorecem por aí além. Acaba por cansar.
Para terminar, "My Apocalypse", tema rápido, muito rápido, cujo final abrupto nos deixa em suspenso. E agora? 2009 em que festival? Já agora queria vê-los pela quarta vez.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

The Gutter Twins@Santiago Alquimista, 8 de Setembro





Existirá o conceito «super bandas de culto»? Se não existe, cunho-o já. Não encontro outra definição para os «gémeos» Gutter, cujas partes visíveis são, needless to say, Greg Dulli, ex-Afghan Wigs e o enorme Mark Lanegan, ex-Screaming Trees, vocalista bastas vezes convidado dos não menos enormes Queens of the Stone Age, autor de muito recomendáveis álbuns a solo, com colaborações tão ilustres como, lá está, Josh Homme ou P.J. Harvey, entre outros (não esquecendo, obviamente, Isobel Campbell). Escrever sobre Lanegan sem o associar aos QOTSA é tarefa impossível e, escusado será referir que, sem a dita banda, os Gutter Twins não teriam a visibilidade que acabaram por alcançar, com apenas um álbum lançado. Talvez por isso mesmo nos tenham trocado em Abril por uma aparição no programa de Jools Holland. Exigia-se redenção. Ei-la.
Temia que o reduzido espaço do Santiago Alquimista fosse demasiado pequeno para tão aguardados visitantes, mas enganei-me. Estava cheio, sim, mas não irrespirável e, tendo isso em conta, dificilmente teriam enchido uma sala maior, como uma Aula Magna ou um Coliseu dos Recreios e é pena. Esperava mais destaque ao concerto, mais público, uma mudança de local por lotação esgotada da sala e... nada. Espantoso. Nem a Blitz se dignou a comentar o concerto a que eu e mais algumas centenas de almas embevecidas e, decididamente, afortunadas assistimos na passada segunda-feira, o que não deixa de constituir um baque para mim. Não esperava tal desprezo. Mas adiante. Para compensar o que é, na minha opinião, uma lacuna, segue o meu relato pessoal, para quem o quiser ler.
Largos minutos antes de a banda entrar em palco, já o público batia palmas e assobiava exigindo a presença dos músicos em palco. Parecia mentira que a poucos centímetros de nós, os que estávamos na primeiríssima fila, e mercê de um palco com não muito mais do que um palmo de altura, estaríamos face a face com uma das vozes mais marcantes que o rock dos anos 90 nos ofereceu e ainda não roubou, à semelhança da maldição grunge que acabaria por ceifar Kurt Cobain e Layne Staley: Mark Lanegan.
"O Mama, ain't no time to fall to pieces. He has arrived...", canta o senhor de preto, de olhos semicerrados (Lanegan, quem mais?). Ámen. Nada mais verdadeiro, pensei na altura. Dava-se assim início ao concerto, com "The Stations", que também encabeça "Saturnalia". Segue-se "God's Children", "Bonnie Brae", dos Twilight Singers, a banda que o outro senhor igualmente de preto, mas ligeiramente mais anafado, Greg Dulli formou ainda nos tempos dos Afghan Wigs e com os quais Lanegan também viria a colaborar. Continua-se ao som do tema mais rockeiro do álbum, o single de apresentação, "Idle Hands" e "Seven Stories Underground". Os anos 90 surgem depois à cena, com um regresso a "Change has come", dos Screaming Trees, que não poderiam ficar de fora, quanto mais não fosse por uma questão de justiça. Não convém esquecer que se os Afghan Wigs deram cartas na década passada, também os Screaming Trees o fizeram, ainda que sempre abafados por uns mais notórios Soundgarden, Alice in Chains ou Stone Temple Pilots, já para não referir os óbvios Nirvana e Pearl Jam.
Tocaram-se muitas versões, nomeadamente "Hard Time Killing Floor", de um tal Chris Thomas King (confesso a minha ignorância, desconhecia o senhor, apesar da inclusão do referido tema na BSO de "O Brother where art thou?, dos irmãos Cohen). Volta-se a "Saturnalia" com uma das minhas preferidas: "Bête Noire" ("I come unhinged, how hard I can't recall. I climb and I stumble and I crawl. Wings are singed, like Icarus to fall. What's left is a shadow of it all"). Longo suspiro. Já não há muitos a escrever letras assim.
Novas versões, "Down the line", de José González e "St. James Infirmary", tema folk norte-americano de origem desconhecida, ambas incluídas no recém-lançado EP "Adorata", cuja parte substancial de verbas vai direitinha para o fundo da teclista Natasha Shneider, membro dos Eleven e também ela colaboradora dos Queens of the Stone Age (quem não se lembra dela e dos seus longos cabelos negros e vincado sotaque russo no DVD de promoção a "Lullabyes to Paralyze", "Over the Years and through the Woods"?), recentemente falecida vítima de cancro. Em seguida, mais um tema deste EP, mas desta feita um original dos Gutter Twins, "Spanish Doors".
Volta-se a "Saturnalia", mais concretamente a "Each to each" e "Front Street", com Dulli, o verdadeiro entertainer a passear-se de guitarra em riste pela primeira fila do público, bem disposto, a fazer a festa sozinho, enquanto um mais soturno Mark Lanegan permanecia quase imóvel, de olhos invariavelmente fechados. Uma espectadora oferece um livro de Fernando Pessoa a Lanegan, que, espantado com o presente, o observa e coloca em cima do órgão.
«Adiós Lisboa!», gritava Dulli, mas nem a pronúncia espanholada se adequava nem o final do concerto era ali. Havia que deixar o povo salivar durante uns minutos e assim foi. O encore arranca ao som de mais um tema dos Twilight Singers, "Papillon", seguido por "Hit the City", do excelente "Bubblegum" da Mark Lanegan Band, ainda que sem P.J. Harvey. Para o final, "King only" (Twilight Singers mais uma vez), "Methamphetamine Blues", o melhor tema de "Bubblegum", ainda que aqui sem a preciosa colaboração de Josh Homme, que se lamenta. "Rolling just to keep on rolling. I don't want to leave this heaven so soon", cantava-se a uma só voz no Alquimista. Nem nós! O dia seguinte era de trabalho e acordar bem cedo, mas quem queria arredar pé?
A terminar, mais uma versão dos Twilight Singers, "Number Nine". Os músicos que acompanharam os Twins nesta digressão vinham tanto de vários estados dos EUA como da Nova Zelândia. De destacar a performance do baterista. Soberbo, de facto. Um puto novo mas cheio de futuro, sem dúvidas de qualquer espécie. Dulli apresentou-os um a um, dizendo de onde vinham. "And this is Mark Lanegan", não era preciso dizer mais nada pois a sala quase veio abaixo tal não foi a ruidosa salva de palmas.
Hora da despedida, desta vez a valer. Lanegan agarra no livro oferecido e desaparece rapidamente para trás da cortina. Os outros fazem as honras, agradecem ao público e recebem a ovação esperada.
E assim terminou a digressão a "Saturnalia". Até breve, numa sala maior, assim o espero.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Mark Ronson 'Valerie'

Eis a minha "feel good hit of the summer" do momento, que também tem cocaína à mistura (via Amy W.), tal como o original qotsiano.
O tema é de uns tais de Zutons e não é nada de extraordinário, mas o vozeirão de Winehouse dá-lhe outro gás e transforma o que seria uma cançãozita inofensiva num êxito retumbante. Bem melhor que o original.

A Place Called Home - PJ Harvey

My place called home...

Never thought it was here and I was right,
Always believed it was there and I was wrong.
Guess I'm just...

Still searching...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O Sudoeste, os Franz Ferdinand, moi e as tendas de fácil montagem que não se desmontam



















Ora e cá estou eu de volta, depois de mais um festival de Verão, o 4.º desta época estival (que hoje está menos estival do que seria de esperar, mercê da irritante e habitual chuva de Agosto) da minha contabilidade pessoal.
Sábado de manhã, dia 9/08 (pronto, mais ou menos de manhã, que o cansaço era muito e o trabalho tem sido às toneladas) - Acordar, ir a Sete Rios comprar o bilhete para a Zambujeira do Mar, com partida às 17h. Calor insuportável em Lisboa, acima dos 30º, adivinha-se uma viagem nada fácil. Bilhete comprado, virar antenas rumo à Sportzone do Colombo, esse mamarracho cor-de-laranja inútil, em frente ao Mediamarkt. Ah, parece que o estádio da lampionagem também fica lá em frente, mas não sei porque não vi. Vantagens de andar de metropolitano.
Diz que há umas tendas que se montam sozinhas em dois segundos e não sei quê: é mesmo isso, que sou gaja, vou sozinha, chego lá tarde e a más horas e estar a montar tendas às escuras, de martelo e estacas na mão (coisa que nunca tinha feito, visto que foi a minha estreia em acampamentos: ridículo, eu sei...) no meio de gandulagem que não conheço de lado nenhum não me parecia uma perspectiva lá muito aliciante. Adiante. Tenda comprada, ou seja, mais 3,5 kg de tecido e arame às costas, enfiados num saquinho (o «inho» é eufemismo, claro está, porque aqui a Battle Axe não é propriamente uma gaja grande, fico-me por um mísero 1,65 m, mas gosto de espaço e de me mexer à vontade, por isso, apesar de sozinha, vai de comprar tenda para duas pessoas, para me poder esticar à grande e ainda ter espaço para os sacos e mochila).
Almoço, buscar as malas e pé na estrada que se faz tarde e o calor aperta.
A viagem demora mais do que o previsto no horário e a chegada faz-se perto das 22h. Primeiro contratempo da noite: não há táxis, não há iluminação na rua, não sei o caminho para o Parque de Campismo e a berma da estrada é um imenso lamaçal, cheio de garrafas de vidro vazias e lixo. Toca de agarrar na bem pesada trouxa, pôr pés ao caminho, ainda que por cima da lama e da imundície (abençoadas Doc Martens, mais uma vez!), e andar até aparecer alguma alma caridosa que me possa indicar o caminho para o campismo da Zambujeira. A salvação surge uns bons e sofridos metros mais à frente, sob forma de um estrangeiro de origem desconhecida, que num semi-espanhol-inglês-português lá me responde que o parque é mais lá à frente e à direita. Boa, pensei eu. Pode ser que não seja longe. Pois... Com os bofes à boca, lá chego, quase à hora de fecho da recepção. Por pouco não dormia na rua, mas vá sejamos positivos: afinal, tinha acabado de chegar.
Espaço indeterminado atribuído: «olhe, acampe onde houver espaço, menos aqui que é para caravanas e ali atrás que também é». O.k., instrução acatada, parece que afinal não é bem assim, «acampe onde houver espaço». Mas siga para bingo que a tralha pesa.
Importante: escolher um cantinho para repouso(?) perto dos balneários, para não perder muito tempo de manhã a andar até ao banho e ao chichi. Esmifradinho, mas lá encontro, infelizmente também ao lado de alguém com um gosto deveras anormal por música de carrinhos de choque aos berros, bem como por pessoas que não conhecem o tom de conversa «baixo», que me é tão caro. Dormir não era aqui, mas quem quer dormir não vai ao Sudoeste, vai para a pasmaceira ou fica simplesmente em casa.
Tenda montada (de facto é abrir o saco e a magia acontece), há que avaliar as instalações sanitárias. A fila de mulherio para o banho impressiona. Regresso à tenda. Qual tenda? Onde está a minha tenda? Onde é que a larguei, porra? Montar tendas às escuras, no meio de milhares de pessoas e por parte de uma pessoa sem o mínimo sentido de orientação, como eu sou, vergonhosamente, não correu bem. E agora o que é que eu faço? Tenho lá tudo dentro! A recepção já fechou e ninguém me vai ajudar! Aaaaaarrgh! Raios partam, eu e a minha estupidez!
Bom, mas problema resolvido, com a ajuda de mais uma alma caridosa. Valeu-me ter decorado a matrícula de um carro espanhol que estava ali perto. Shame on me...
Outra decisão inteligente: por falta de espaço, não quis levar colchão para colocar debaixo do saco-cama. Ah e tal, a toalha de praia chega e está muito bom. Não. Decisão de jerico n.º já nem sei qual. O rubor facial aumenta exponencialmente.
3.ª luta do dia: tentar dormir. Do lado direito e atrás, pastilhada aos berros, do esquerdo e em frente conversa aos berros, por baixo de mim um chão um bocado para o rijo, com pedras e assim, cujas nódoas negras e marcas ainda conservo nas pernas, joelhos e ancas. Às cinco da matina alguém do sexo masculino resolve entoar o hino francês com vários decibéis acima do permitido por lei. Vontade de lhe atirar com um balde de merda à tromba. Primeiro, não tenho balde. Porra. Segundo, apesar de tudo, aqui não há merda, pelo menos da convencional. Porra. Terceiro, estou demasiado cansada e dorida para me conseguir levantar. Três horas mais tarde, alvorada definitiva, que o barulho e o calor não deixam descansar. Há que ir à praia, aproveitar a manhã de sol. Duas horas e tal de praia feita, é hora de ir ao Posto de Turismo da vila saber os horários dos autocarros para o recinto e as respectivas paragens. Pelo caminho ainda há tempo para ver o mercado de freaks e neo-hippies montado no centro da Zambujeira: muita rasta e oferta de tererês, coisas que não me seduzem. Chegada ao Posto de Turismo. Fecha sempre aos domingos e segundas-feiras. Dois dias! What the fuck??? Como assim??? Uma vilória perdida no meio do nada, que não tem porra de coisa nenhuma, dá-se ao luxo de fechar o turismo na única altura do ano em que REALMENTE lá vai gente? Não acho isto normal.
Tentativa gorada de saber o que quer que fosse, por isso regresso à minha tenda. À tarde vai de apanhar um táxi para percorrer os 5 km de distância entre o parque de campismo e o recinto do Sudoeste, na Herdade da Casa Branca. Não está fácil, as solicitações são muitas e a bandeirada faz-se a condizer. Quase o dobro do que pagamos em Lisboa, capital do país dito civilizado que é Portugal. Há que esmifrar ao máximo os €€€ destes meninos e meninas alfacinhas ricos que vêm aqui invadir-nos isto uma vez por ano, pensarão os taxistas da zona. Mas nem eu sou alfacinha nem rica, por isso doeu pagar a exorbitância cobrada nas duas viagens.
Chegada ao recinto, há que procurar os amigos que já foram há 5 dias atrás para o festival e a quem não pude juntar-me.
Os concertos começam tarde, muito tarde, por isso há tempo para ver tudo com calma, para comer, conversar e responder a inquéritos de teses de mestrado e da Worten feitos por jovens armados de bloco em riste.
A criançada sub-16 presente no recinto preferia andar a brincar e mergulhar na piscina da SAPO, a ver as babes em bikini, a recolher preservativos da Harmony para fazer balõezinhos e assobiar nos apitos da dita marca. O meu grau de irritação teimava em aumentar.
1.º concerto do dia: Fanfarlo. Uma chatice. Putos ingleses com muitos quilos a menos, armados em Arcade Fire e Sigur Ros. Não gostei.
Tara Perdida também não me aliciava, por isso esperei por Jorge Palma. Em grande, literalmente, a barriguinha proeminente era muito notória, a bebedeira também (onde é que já ouvimos isto?), mas o primeiro bom concerto do dia, vá-se lá perceber como. Antes do concerto tivemos a oportunidade de conhecer o filho de Jorge Palma, o Vicente, rapaz muito atinadinho e simpático, amigo de um casal com quem estávamos. Toca piano e guitarra com o pai e lá esteve ele a brilhar em palco, ao lado do progenitor. Acabado o concerto, dei os parabéns ao puto, que os mereceu e bem. Soube que já tem músicas gravadas no CD Novos Talentos da FNAC e numa homenagem a Adriano Correia de Oliveira, em nome próprio. A investigar.
«E a seguir vêm os Xutos... acho eu», anunciava (?) Jorge Palma. E não é que acertou? Hora de ir jantar, cá para mim, que Xutos não são santos da minha devoção e tenho mais que fazer. Andar na roda gigante da TMN também foi giro. A vista era lindíssima, sobretudo àquela hora da noite.
A seguir, Shout Out Louds, mais conhecidos pela «banda da música de anúncios a telemóveis» que não a TMN, patrocinadora do evento, curiosamente. O concerto não é mau, mas também não é bom. Não acho piada a esta popzinha inconsequente sueca, não é o meu estilo e só conhecia mesmo o single de apresentação. No entanto deu jeito ver o concerto, quanto mais não fosse para marcar um bom lugar para o motivo da minha ida ao Sudoeste: os Franz Ferdinand.
E ei-los, por fim. Por trás, um divertido pano de fundo estampado com as caras dos elementos da banda. O início dá-se ao som da minha preferida, "Michael", o que já esperava face ao alinhamento do concerto anterior da banda na Alemanha, três semanas antes. Delírio puro para mim, mas algo não correu bem. A voz ouvia-se mal. No final da música a P.A. falhou. "Come on home" sofreu da mesma falha, o que fez com que a banda abandonasse o palco por duas vezes. Temia-se o pior e eu já amaldiçoava a Música no Coração quando alguém da organização subiu ao palco a explicar que os problemas técnicos da P.A. iam ser reolvidos e o concerto retomado dentro de breves minutos. Assim foi. Ufa!
Os Franz Ferdinand não esperavam aquilo e ficaram nitidamente tristes com os problemas técnicos, ainda que a eles fossem alheios. Mas quem se lembrava disso, mal soaram os acordes de "The Dark of the Matinée"? Continua-se a boa onda com "The Fallen" (outra das «mais» dos FF), "Do you want to?", "Walk away", "Take me out", "Jaqueline", "Outsiders" (outra das minhas preferidas) "40 Ft" e "This fire" a terminar o concerto. Pelo meio muitos e bons temas novos, que deixam adivinhar um regresso em grande dos Franz, neste 3.º álbum que se aguarda para breve. "Bite hard", "Turn it on", "Ulysses" foram os temas apresentados em primeiríssima mão ao já redimido público. "A few moments ago I was feeling really bad [quando a P.A. rebentou], but you made me feel good again, Sudoeste!", dizia Alex Kapranos. Idem, amigo. Deram o concerto da noite, superaram todos os problemas e salvaram o que parecia condenado à desgraça. Que mais se lhes pode dizer? Um enorme e muito sentido: OBRIGADO! Voltem em breve, por favor.
Findo o concerto, regresso à roubalheira do táxi para o campismo. Tentar dormir era difícil, mas o cansaço era tanto que ainda deu para pregar olho um pouco, apesar do barulho. No dia seguinte, a luta para desmontar a tenda começa. A tenda vence. As instruções não instruem. Graças à Berg 2 seconds acabo de ficar coberta de terra, isto escassos minutos após ter acabado de tomar o meu banho semi-frio matinal (o gás parece que não quis funcionar nos balneários femininos). O povo acampado ao pé de mim não só não ajuda como ainda goza com a situação. «Pois, montar é muito fácil, mas desmontar é que é o problema! - gritam-me de passagem. Já devem ter passado pelo mesmo problema, pelos vistos. P*** que os pariu, grunho eu. Isso e muitos outros palavrões que não reproduzo por decoro, no entanto digamos que fiz combinações de asneiras que não sei muito bem se existem, mas que agradariam provavelmente à claque dos Super Dragões, por exemplo. Uma jovem sozinha em apuros não inspirou pena na vandalagem presente no parque, o que diz bastante sobre o pretenso cavalheirismo do macho luso. Na impossibilidade de obter ajuda interna, restava-me a opção de arrastar a tenda o mais dobrada que me foi possível para fora do parque, para que as duas amigas com quem ia para Lisboa me ajudassem. Mesmo a três não foi possível arrumar o estupor da tenda em condições, pelo que se dobrou o melhor possível, só até se conseguir enfiar a dita no saco e pé no acelerador que já se fazia tarde e ainda havia muito quilómetro para fazer. Claro está que já devolvi a Berg 2 seconds à procedência. 2 segundos a montar mas uma eternidade a desmontar, deviam eles acrescentar ao slogan da marca. 15 segundos a desmontar, diziam eles. Nunca a publicidade foi tão enganosa, digo eu.
E assim termina a minha saga no Sudocas. Puxando ao meu lado mais masoquista, faria tudo de novo, porque na música não há sacrifícios. Franz FUCKING Ferdinand!

P.S. - Como podem reparar, a ordem das fotos está baralhada, por pura incompetência desta vossa blogueira de serviço. Às vezes esqueço-me que a carregar fotos, o blogger troca a ordem das ditas de cima para baixo. Não correu, de facto, bem. Desenvencilhem-se, ainda assim. Tenham lá paciência.


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Aqui vou eu, aqui vou eu, vou para o Sudoeste vou curtir, vou dançar até cair



Quase de partida para o Festival do Sudoeste, ou Sudocas, como lhe chamo, aqui ficam as minhas despedidas.
Sozinha (já vai sendo hábito!), de mochila e tenda ainda não comprada às costas, depois de muitos €€ gastos, cá vou eu fazer centenas de quilómetros de autocarro, debaixo de um calor alentejano infernal, arriscar-me a não ter onde dormir nem montar a tenda, só para ver estes meninos: Franz Ferdinand.
Espero bem que me façam salivar e shake that ass muitíssimo ou rogo-lhes uma praga! Oh se rogo!
Só lhes perdoo se iniciarem o concerto com "Michael" (a minha preferida), tal como fizeram há 3 semanas atrás na Alemanha.
E é isso. Adeusinho e até ao meu regresso!
Portem-se mal e não se estiquem!
Beijinhos da Battle Axe